Anabolizantes

     Na luta desenfreada para aumentar a massa muscular e ter um corpo “sarado”, muitas pessoas lançam mão de “medicamentos milagrosos”. Assim, existem à disposição diversas substâncias que prometem melhora dos resultados estéticos e desempenho físico: hormônios, suplementos e estimulantes psicomotores. Seguem abaixo alguns exemplos:

  • DHEA (deidroepiandrosterona)

     ​Sua dosagem é muito alterada em vigência do uso de anticoncepcional oral.

     Verdade: é um hormônio produzido naturalmente no organismo humano pelas glândulas supra renais, presente em homens e mulheres. 

     Mito: leva a ganho de massa muscular sem efeitos colaterais. O comportamento fisiológico do DHEA é o de um andrógeno de fraca ação. Os homens, têm como sua principal fonte de androgênios a testosterona produzida pelos testículos, essa tem potência tão maior que o DHEA que sua relevância para o homem seria conceitualmente bem pequena. Já em mulheres, que têm como fontes de androgênios os ovários e as glândulas adrenais, o potencial benéfico hipotético foi afastado por estudos que mostraram uma pequena melhora na qualidade de vida em mulheres tratadas com DHEA em comparação com placebo. Concluiu-se que o DHEA pode melhorar, de forma pequena, e talvez trivial, a qualidade de vida em mulheres em situações de deficiência desse hormônio (como por exemplo mulheres que tiveram suas adrenais retiradas cirurgicamente). Portanto, a evidência é insuficiente para apoiar o uso rotineiro de DHEA.

     Perigo: não há fiscalização adequada da quantidade de hormônio colocada nos produtos comercializados. Pode haver uma grande quantidade levando à efeitos colaterais de virilização, como pode haver quantidade irrelevante fazendo com que o consumidor compre praticamente um placebo à altos custos.

 

  • GH (hormônio do crescimento)

     Sua dosagem aleatória não tem contexto nem margem à interpretação já que sua secreção é cíclica, pulsátil. Não há indicação de dosagem desse hormônio em pessoas que não estejam de fato em risco de tê-lo baixo, como por exemplo, em casos de cirurgias com a retirada da hipófise ou outras lesões nessa glândula.

     Verdade: é um hormônio produzido naturalmente no organismo humano pela hipófise e responsável pelo ganho de estatura na infância (altura); na fase adulta, é responsável por diversas ações metabólicas como aumento da massa magra e diminuição da massa gorda. Adultos com deficiência de GH tem deficiência de sua ação anabólica e lipolítica, que é caracterizada pela obesidade abdominal, perda da densidade mineral óssea, diminuição da força muscular e capacidade aeróbia e do desempenho físico, consequentemente reduzida qualidade de vida. Apesar destas mudanças na composição corporal, há pouca evidência de que o GH em doses suprafisiológicas afete o desempenho físico e estudos têm mostrado que apesar do GH aumentar a massa magra não melhora a força. No entanto, apesar dos riscos e da ausência de benefícios comprovados, a expectativa de que os níveis de suprasfisiológicos de GH (ou IGF-1) possa aumentar o desempenho atlético de um indivíduo é o suficiente para encorajar o uso.

     Mito: melhora da performance física sem efeitos colaterais.

     Perigo: ter efeitos adversos causados pelo uso indevido de GH que incluem edema, sudorese excessiva, mialgias e artralgias (dores nos músculos e articulações), síndrome do túnel do carpo, e diabetes. Pode ocorrer também: alargamento das extremidades, hipertensão, insuficiência cardíaca congestiva, apnéia do sono, síndrome do túnel do carpo, acometimento de nervos e até mesmo aumento da mortalidade e da frequência de tumores benignos e malignos.

 

  • Testosterona: uso em mulheres

     A dosagem de testosterona em mulheres não tem contexto. Os métodos laboratoriais que temos a nossa disposição atualmente não são sensíveis o suficiente para detectar níveis no patamar que usualmente estão esses hormônios na população feminina. Mulheres jovens, saudáveis, que têm seus ovários funcionando não estão em risco de terem deficiência de testosterona, portanto não precisam tê-la dosada. Ainda mais sem contexto e sem aplicabilidade clínica é a dosagem de testosterona em mulheres sem especificar o momento do ciclo menstrual e na vigência do uso de outros medicamentos como anticocepcionais orais, que interferem nos níveis e nas dosagens de testosterona. 

     Em mulheres sem os ovários (por exemplo ooforectomizadas) pode haver alguma aplicação a prescrição de formulações de uso tópico contendo testosterona. No entanto, muitos grupos conceituados na endocrinologia se colocam contra essa prática que deve ser realizada com cautela e sob orientação e seguimento regular de um Endocrinologista. 

     O uso de qualquer formulação injetável de testosterona em mulheres é contra indicado com alto potencial de causar danos a saúde além de diversos efeitos colaterais, alguns deles irreversíveis. 

 

  • Testosterona: uso em homens

     Os homens possuem uma alta produção endógena (própria) de testosterona vinda dos testículos. Exceto em situações de hipogonadismo (que pode estar associado a obesidade, Síndrome Metabólica e a outros distúrbios), não há justificativa para o uso de testosterona em homens saudáveis. Os efeitos colaterais como consequência desse uso são vários, cito apenas alguns abaixo:

  • Ginecomastia
  • Acne e estrias
  • Insuficiência cardíaca
  • Infertilidade transitória ou permanente

     Não há dúvidas que a elevação da testosterona a níveis suprafisiológicos leva ao aumento de massa muscular e diminuição de massa magra. No entanto, esse aumento não vem associado ao aumento na força muscular proporcional e os preços à saúde a serem pagos por esse objetivo estético são muito altos.

     Se voê aidna tem dúvidas sobre esses hormônios, usos e abusos, indicações e contra indicações, procure seu Endocrinologista.